Chuvas serão ainda mais fortes em fevereiro em Minas, afirma meteorologia

A população de Minas Gerais deve se preparar para o retorno, ainda mais forte em fevereiro, do fenômeno meteorológico que causou, segundo o boletim mais recente da Defesa Civil Estadual, divulgado nesta segunda-feira (27), 45 mortes e a retirada de mais de 15 mil pessoas de suas casas nos últimos dias no Estado.

A informação foi confirmada pelo professor e pesquisador em meteorologia Ruibran dos Reis. De acordo com ele, os sistemas meteorológicos já previam, há pelo menos seis meses, que a Zona de Convergência do Atlântico Sul, a ZCAS (entenda mais abaixo), ocorreria em Minas em janeiro e, com mais intensidade, em fevereiro de 2020.

Essa estimativa, porém, não apresenta as regiões onde a precipitação será mais mais intensa e, portanto, mais destruidora. Um estudo mais específico só poderá ser feito uma semana antes da ocorrência do fenômeno. “Não sabemos ainda onde ele irá se posicionar. Em 2011, por exemplo, o mesmo fenômeno se posicionou na região serrana do Rio de Janeiro, causando tragédias”, relembrou.

Para o especialista, a volta intensa da ZCAS pode ocorrer no Sul, Norte ou parte do Leste de Minas, pegando ainda parte de São Paulo. “A maior probabilidade é que não se repita aqui na Central e Zona da Mata, regiões onde ele já atuou. É muito difícil o sistema se repetir”, disse.

Sensacionalismo não ajuda

Ruibran afirma que o alarme que tem sido feito por parte de alguns veículos de imprensa de que a chuva retornará ainda mais forte em fevereiro sem a explicação de que não deverá se repetir no mesmo local é “desnecessário”, pois apavora as pessoas de forma rasa, já que, como foi explicado nesta reportagem, ainda não se sabe onde os temporais irão cair.

“Vai chover em todo o Estado e ainda mais forte em fevereiro do que em janeiro. A princípio, vai ocorrer, mas não tem nada indicando que será na mesma região. A população fica com medo, mas a probabilidade de se formar no mesmo local é muito pequena. Normalmente, a ZCAS demora anos para se repetir no mesmo local”, afirmou. “Por isso, o mais importante é que a população se prepare e acompanhe as atualizações”, complementou.

A Zona de Convergência do Atlântico Sul é um sistema meteorológico que transporta umidade da Amazônia até o Oceano Atlântico, próximo à costa da região Sudeste do país. O fenômeno funciona a partir da variação de pressões: de forma simplificada, a água amazônica é atraída até o litoral e, nesse caminho, ao passar pela zona de convergência da frente fria, precipita-se, causando fortes chuvas. Outros fatores podem intensificar o processo.

 

 

FONTE: Hoje em Dia

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